A importância do lúdico para o desenvolvimento da criança de 0 a 5 anos.
Introdução
A
razão para a escolha desse tema é a barreira que pais e professores ainda têm
sobre o uso do lúdico em sala de aula. Esse termo ainda é desconhecido por
muitos e, de acordo com o Dicionário Aurélio, lúdico significa: “Referente à,
ou que tem o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos”. Contrariamente ao
que se pensa a brincadeira e o jogo também podem ser educativas e não apenas
fontes de recreação e lazer dentro do contexto escolar. Diante do objeto aqui
delimitado, tem-se como problema a seguinte formulação: Como podemos contribuir
para o processo de desenvolvimento infantil se utilizando o lúdico dentro do
contexto escolar?
Contudo
estudos mostram que teorias antigas e ultrapassadas, diziam, em síntese, a
brincadeira deveria ser usada para descansar das atividades “sérias”. Entretanto,
outros estudos demonstram que o lúdico usado de forma correta e planejada
também se torna uma atividade séria, estimulante e enriquecedora. Deste modo o
professor pode planejar seu ato pedagógico de acordo com os anseios e
necessidades da sua turma, a fim de tornar o ato de aprender muito mais
prazeroso. Pois através das atividades lúdicas o desenvolvimento da criança
ocorre de modo que as relações entre os aspectos motores, cognitivos, sociais e
afetivos se tornem fatores importantes desse processo de aprender e ensinar.
O
professor que utiliza as atividades lúdicas consegue conhecer o aluno não só em
questão da aprendizagem como também as questões relacionadas ao desenvolvimento
geral da criança. Com a brincadeira e o jogo a criança cria, transforma, inventa,
tornando o aprender um processo contínuo, simples, complexo, mas prazeroso.
Portanto ao considerarmos a escola como um espaço de aprendizagem, entendemos
que as atividades lúdicas como o brincar e o jogar utilizados dentro da sala de
aula contribuirão para o processo de desenvolvimento infantil, sendo que o
professor ao utilizar-se no ato pedagógico dos aspectos lúdicos justifica o
trabalho remetendo-nos a refletir sobre esta proposta na tentativa de se
compreender melhor o lúdico e minimizar os problemas em relação ao uso
incorreto do lúdico dentro do contexto escolar.
Nas
ultimas décadas a educação vem procurando fazer reflexões sobre sua própria
identidade, onde as discussões abrangem conceitos, metodologia, pesquisas e
atuação profissional. Desta maneira a educação infantil e fundamental I
redirecionou seus objetivos possibilitando, destacar dentro deste contexto
escolar a importância do lúdico para as crianças de (0á6anos). Possibilitando assim ao professor uma maneira
de avaliar e reavaliar como o lúdico foi utilizado no passado e como atualmente
ele é utilizado, mas não somente, como também a forma de utilizar do lúdico com
os alunos (educação do lazer e uma educação para o lazer). De modo que as contribuições do brinquedo e
do brincar não interferem no jogo e nem nas diferentes formas de se utilizar do
jogo.
Tudo
isso se destaca, pois em cada fase da criança ela se utiliza do jogo de acordo
com seu desenvolvimento e aprendizado. Dentro desse novo pensar a brincadeira
pode ser fundamental para o desenvolvimento e a construção do conhecimento em
diversas áreas.
Como
também o professor poderá observar para intermediar o lúdico e a aquisição da
aprendizagem de forma correta para solução de conflitos internos e externos das
crianças.
Dentro
desta pesquisa pode se notar que lúdico começou a ser usado na educação desde a
antiguidade com Platão e Aristóteles que associavam o lúdico e a aprendizagem
como formas de estudo com prazer. Nesta mesma época, eram utilizadas guloseimas
em formatos de números e letras para que houvesse uma aprendizagem lúdica e
cativante desenvolvendo todos os aspectos cognitivos da criança.Essa é a escola
da modernidade alegre, dinâmica e com as relações entre aprender e ensinar.
Como
diz Airton Negrine: “Áries não cansa de afirmar que as brincadeiras e os
divertimentos ocupavam um lugar de destaque nas sociedades antigas”. (NEGRINE,
2000 apud KUDE, 1978, p.16).
Sempre
tivemos um entrave quando dizemos que o lúdico é importante no desenvolvimento
humano, mas:
Hoje o lúdico é estudado como algo fundamental do processo,
fazendo com que cada vez mais se produzam estudos de cunho cientifica para
entender sua dimensão no comportamento humano e se busquem novas formas de
intervenção pedagógica como estratégia favorecedora de todo o processo.
(NEGRINE, 2000, p.17).
Desenvolvimento Infantil e escola: uma
relação de aprendizagem
Toda
criança em processo de desenvolvimento vive buscando a cada momento nova função
e a construção de novas habilidades, o que as faz buscar uma atividade que possibilite
manifestar de forma intensa toda sua funcionalidade.
A
criança que brinca apresenta um crescimento e um desenvolvimento de forma
natural.
Pois
no ato de brincar muitas vezes a criança não está pensando em ficar mais
inteligente ou ser uma pessoa bem
sucedida quando adulta, mas sim ela brinca por que é divertido, desafiador e
promove momentos de disputas que podem
até em certos momentos serem frustrante, mas não deixando de ser divertido
Por
esse motivo a criança que brinca mostra-se saudável e feliz.
O
brincar é fundamental para nosso desenvolvimento. É principal atividade das
crianças quando não estão dedicadas às suas necessidades de sobrevivência
(repouso, alimentação, etc.). Todas as crianças brincam se não estão cansadas,
doentes ou impedidas. (MACEDO; PETTY; PASSOS, 2005, p.13).
O
autor destaca até que em alguns momentos pode-se dizer que o brincar tem papel
importante na vida da criança e que se pode detectar até que crianças
depressivas, doentes, ou com algum problema não apresentem vontade de brincar
ou jogar.
Sendo
o brinquedo fundamental para o desenvolvimento saudável do ser humano, é
importante que aconteça de maneira mais plena possível e, para isso, as
necessidades especiais devem ser consideradas e atendidas, a fim de que o aproveitamento
possa ser o melhor possível. (CUNHA, 2000, p.29)
Pode-se
dizer que o brinquedo tem um grande valor na infância, mas temos que fazê-lo
ter alguma função, pois sem ela o
brincar deixa de ter objeto e
significado na vida da criança.
O brinquedo estimula e abre a
possibilidade da representação de seu meio social. A criança espelha no mundo
para brincar mostrando ao máximo o seu entendimento de sua realidade. Para o
adulto o brincar leva-o ao despertar de seu lado infantil, o adulto também brinca
e joga, mas de forma diferente das crianças. Nessa transformação do brincar e o
jogar para o adulto mostra certo preconceito em relação à “brincadeira de
criança” como a citação abaixo confirma este argumento:
O brinquedo é um objeto infantil e falar de brinquedo para
um adulto torna-se, sempre, um motivo de zombaria, de ligação com a infância. O
jogo, ao contrário, pode ser destinado tanto à criança quanto ao adulto: ele
não é restrito a uma faixa etária. Os objetos lúdicos dos adultos são chamados exclusivamente
de jogos, definindo – se, assim, pela sua função lúdica. (BROUGERE, 2004,
p.13).
O
Jogo no Dicionário Aurélio em uma dessas definições diz que é: “Dizer ou fazer
brincadeira”, assim mostrando que o jogo e a brincadeira têm o mesmo objetivo e
só é discriminado pelos adultos pela sua formação não lúdica e o aparecimento
da regra que não pode ser modificada. Com o aparecimento do aspecto lúdico
dentro do contexto jogo a criança se interage com outras crianças privilegiando
o desenvolvimento de novas formas de se pensar sobre o jogar de acordo com cada
contexto de jogo. Como diz Celso Antunes (2000, p. 38), “Está se perdendo no
tempo a época em que se separava a ‘brincadeira’, o jogo pedagógico, da
atividade ‘séria”. As atividades lúdicas fazem parte da vida do ser humano, mas
especialmente para as crianças estas atividades sempre foram vistas como sem
importância. Se lembrarmos de algumas frases verá que fomos programados
culturalmente para não sermos lúdicos: “Chega brincar, agora é hora de estudar”,
“Brincadeira tem hora”. Dessa forma fomos construindo nossas idéias sobre o
lúdico, somente depois dos anos 50 com o avanço da psicologia que colocou as
atividades lúdicas em destaque, por ser o brinquedo a essência da infância. O
brinquedo e a brincadeira trazem consigo algumas vantagens que Vygotsky põe em
estudo e diz:
Apesar de a relação
brinquedo-desenvolvimento poder ser comparada à relação desenvolvimento, o
brinquedo fornece ampla estrutura básica para mudanças das necessidades e da
consciência. A ação na esfera imaginativa, numa situação imaginária, a criação
das intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações
volitivas – tudo aparece no brinquedo, que se constitui, assim, no mais alto
nível de desenvolvimento pré-escolar. A criança desenvolve-se, essencialmente,
através da atividade de brinquedo. Somente neste sentido o brinquedo pode ser
considerado uma atividade condutora que determina o desenvolvimento da criança
(VYGOTSKY, 1999,apud CONRADI; VECCHI; SILVA; 2006 p.4).
Vygotsky diz que no desenvolvimento o
brinquedo tem grande importância estimulando a imaginação e a criatividade
fazendo com que a criança mostre seus sentimentos tendo como base seu meio
social.
Wallon mostra outra perspectiva sobre o
comportamento lúdico da criança dizendo que “Compreende o desenvolvimento da
brincadeira a partir do desenvolvimento da imitação que surge como resultado do
desenvolvimento infantil que transcorre numa constante dialética com o meio
físico e social.” (KISHIMOTO,
2003 apud WALLON, p. 41).
Temos algumas diferenças nos conceitos
de cada pensador, Piaget tem sua definição de brincadeira:
Piaget distingue a construção de
estruturas mentais da aquisição dos conhecimentos. Nesse sentido, a
brincadeira, enquanto processo assimilativo participa do conteúdo da
inteligência, igual à aprendizagem e também é compreendida como conduta livre,
espontânea, que a criança expressa por sua vontade e pelo prazer que lhe dá.
Portanto, ao manifestar a conduta lúdica, a criança demonstra o nível de seus
estágios cognitivos e constrói conhecimentos de acordo com seu nível de
desenvolvimento. (CONRADI; VECCHI; SILVA; 2006 p.3).
Podemos observar que o brincar serve de
mola propulsora para o desenvolvimento em diversas áreas. A criança quando
brinca desenvolve a resolução de problemas e a criatividade para resolver estes
problemas, “aumenta o poder de concentração da criança e estimula o
desenvolvimento social” (EYER; HIRSH-PASEK; GOLINKOFF, 2006, p.235).
Precisa-se então desenvolver na criança
em fase escolar, além das habilidades exigidas pela “sociedade”, as habilidades
emocionais, cognitivas, afetivas e motoras. E a brincadeira dentro de seu
aspecto (lúdico) desenvolve estas habilidades, afim de desmistificando o velho
ditado que a brincadeira não é coisa séria, que brincadeira só serve dentro do
contexto escolar para serem utilizadas
na entrada, no recreio e na saída..
Com a brincadeira ensina-se o que os
livros nunca poderão ensinar isto mostra o quanto a brincadeira é séria e
importante para o desenvolvimento infantil da criança em fase escolar.
A história do lúdico
Antes mesmo de se pensar em falar
do lúdico busquemos entender sobre ludicidade, pois e ela que assegura a
qualidade ou caráter do lúdico, podendo se referir a esse significado tudo que
represente diversão. Assim Ferreira (1999, p.1238) cita que o lúdico é tudo que
se refere a, ou quem tem o caráter de jogo, brinquedos e divertimento.
Mas durante muito tempo
conceitos lúdicos foram utilizados como momento de diversão, momentos esses que
aconteciam fora do contexto escolar ou no momento do recreio, sendo não
utilizado dentro do contexto sala de aula.
O lúdico começou a ser usado na
educação desde a antiguidade e nossos ancestrais já o utilizava na sua
vida.
“O ato de jogar é tão antigo quanto o próprio homem, pois
este sempre manifestou uma tendência lúdica, isto é, em impulso para o jogo.
Alguns autores vão além afirmando que o jogo não se limita apenas à humanidade
– seria anterior, inclusive ao próprio homem, pois já era praticado por alguns
animais” (RIZZI; HAYDT, 1997, P.08)
Como diz Airton Negrine: “Áries não
cansa de afirmar que as brincadeiras e o divertimento ocupavam um lugar de
destaque nas sociedades antigas”. (NEGRINE, 2000 apud KUDE, 1978, p.16). As
brincadeiras só ganham espaço e valor na “ruptura do pensamento romântico”.
Antes o lúdico não era aceito e conhecido apenas como recreação como muitos
ainda pensam nos dias de hoje. Mas com o surgimento de um novo modelo de
infância baseado nos estudos de Comenius, Rosseau e Pestalozzi que protege a
infância e a coloca como categoria social. Surge a elaboração dos métodos de
ensino próprios e as instituições de educação. Para Brougere, a criança é
marcada pela idéia, onde revela o mundo espontaneamente e que pode ser
destruído pelo contato social. A valorização da brincadeira infantil apóia-se,
portanto, no mito da criança portadora de verdade, cujo comportamento
verdadeiro e natural, por excelência, é o seu brincar, desprovido de razão e
desvinculado do contexto social (WAJSKOP, 2001, P.20).
Segundo Brougere o brincar a criança mostra
seus comportamentos naturais e que não deve ter vínculos com o meio social.
Contrapondo a idéia de que não devemos intervir no comportamento natural da
criança, temos a valorização da família no controle do desenvolvimento de suas
necessidades educacionais. Com os pedagogos humanistas, a brincadeira e a
educação começam a se entrelaçar, médicos iluministas também participam desta evolução,
não pensando na educação da criança, mas sim na saúde e na moral.
Assim
foi criada a superioridade do adulto sobre a criança, que os queria como
modelos de adultos (mini-adultos), os deixando livres para se desenvolver
naturalmente, mas sendo educados para não usar esta liberdade.
De
acordo com Rosseau a criação dos brinquedos sensoriais proporcionou um
trabalhado com as crianças deficientes que eram abandonadas pelas casas e ruas
da cidade. Os brinquedos sensoriais começaram a ser usados no futuro em
crianças ditas “normais”.
Com
as pesquisas sobre as crianças, Fröebel, Montessori e Decroly mostram a
educação como à forma desenvolvimento, rompendo com a concepção tradicional de
sua época, propondo a educação sensorial onde utilizavam jogos para educar os
sentidos naturais da criança. Com estes estudos as crianças ganhavam respeito e
foram compreendidos como seres ativos. Estes pensadores influenciaram a
pedagogia no Brasil a partir da escola nova após os anos 70, que transformou o
programa de educação compensatório em apenas seu instrumento didático.
Tem-se
uma tendência de usar brinquedos e métodos lúdicos no ensino, mas de forma
sistematizada e repetitiva. Como afirma a autora Wajskop abaixo:
Assim, a maioria das escolas tem
didatizado à atividade lúdica das crianças, restringindo-a a exercícios
repetidos de discriminação viso motora e auditiva, através do uso dos
brinquedos, desenhos coloridos mimeografados e musicas ritmada. Ao fazer isso,
ao mesmo tempo em que bloqueia a organização independente das crianças para a
brincadeira, essa pratica pré-escolares, através do trabalho lúdico didatizado,
infantilizam os alunos, como se sua simbólica servisse apenas para exercitar e
facilitar (para o professor), a transmissão de determinada visão do mundo, definida
a priori pela escola.” (WAJSKOP, 2001, P.23).
Este tipo de lúdico já foi e ainda
é usada no Brasil, uma forma cansativa que deixa a criança sem estimulo e
vontade de aprender. Mostrando através da historia o quanto é precário o
emprego do lúdico em nosso dia a dia.
Deixem de se utilizar do lúdico
de forma equivocada, pois dessa forma esse processo não contribui para o
ensino-aprendizagem dentro do contexto escolar.
O brincar, o jogar e o desenvolvimento infantil.
Durante muito tempo se confundiu
ensinar com transmitir, onde o aluno era considerado um agente passivo e o
professor um transmissor do conhecimento e com isso p o aprender ocorria pela
repetição e não pelo aprendizado e construção e transformação cultural de cada
indivíduo. Com o aparecimento de uma nova forma de ensinar foi preciso
construir uma nova forma de aprender, com a intenção de proporcionar aquele que
aprende uma participação mais ativa, reflexiva e crítica dentro do processo
escolar.
Mas
para que esse novo processo possa ser desenvolvido dentro do contexto escolar
se faz necessário conhecer sobre o ato pedagógico que se utiliza o brincar, do
jogar e do lúdico como um fator motivador, enriquecedor e integrado para o
processo de construção e desenvolvimento da inteligência infantil.
Desta
forma Friedmann “diz que a aprendizagem depende em grande parte da motivação:
as necessidades e os interesses das crianças são mais importantes que qualquer
outra razão para que ela se ligue a uma atividade.” (1996 p.55).
Contudo
o brincar e o jogar deixam de ser utilizado somente como momento de lazer e
ganha seu aspecto pedagógico através de atividades com significado,
desafiadoras estimulando a formação e a construção de novos conceitos.
Com
o jogo torna-se capaz a abertura de um novo caminho para o ato pedagógico de
ensinar, onde a atividade deixa de ser única e repetitiva para ser dinâmica
expressiva e funcional dentro do processo ensino-aprendizagem. Como
já foi dito anteriormente a uma possibilidade de trazer o jogo para dentro da
escola é uma oportunidade de se pensar na educação dentro de uma perspectiva
criadora, autônoma e consciente. Através do jogo, não somente abre-se uma porta
para o mundo social e para a cultura infantil como também se encontra uma rica
possibilidade de incentivar o desenvolvimento infantil. Só que a idéia de
aproveitar o jogo como alternativa metodológica não prioriza sua utilização
enquanto mero instrumento didático. (Friedmann, 1996 p.56). O jogo então encerra em sua essência um sentido maior
do que uma simples manifestação de necessidade, para apresentar o sentido de
manifestação expressiva e funcional de acordo com a idade e as fases de
desenvolvimento que a criança se encontra. Assim à medida que a criança cresce
e se desenvolve, surgem novos interesses, novas situações de trocas, novos
aprendizados e conseqüentemente o brincar e jogar vão se transformando e se
modificando, proporcionando uma estreita relação entre o processo de
crescimento, desenvolvimento (social, afetivo e cognitivo) e maturação, bem
como o aparecimento de novos interesses e objetivos. Para entender melhor a
utilização do jogo dentro do processo de desenvolvimento infantil Friedmann
(2002, p.56) cita que Piaget classificou o jogo dentro das diferentes fases do
desenvolvimento da criança, possibilitando ao professor conhecer melhor as
relações entre aprendizagem e construção do conhecimento, aprendizagem e
desenvolvimento, estudando basicamente as origens do conhecimento na criança.
Com
esses estudos houve a possibilidade do reconhecer que os desenvolvimentos
intelectuais e cognitivos das crianças não são inatos, adquiridos sem esforço
ou transmitidos hereditariamente, são produtos da própria atividade da criança,
que não para de estruturar e reestruturar seu próprio esquema, de construir o
mundo á medida que o percebe. Dentro dessa classificação e utilização do jogo
proposta por Piaget encontra-se a relação entre os níveis de inteligência e os
três níveis de conhecimento desenvolvidos nessa construção das estruturas mentais
que se inicia das atividades mais simples para as mais complexas e elaboradas.
Abaixo
faremos uma breve descrição e relação entre os níveis de inteligência e os
níveis de conhecimento da criança de (0 a 5) nesta fase do desenvolvimento
infantil
Inteligência
sensório-motora: (ações) (0 a 2 anos)
Neste
estágio sensório-motor, a inteligência da criança é essencialmente prática e as
ações reflexas predominam a relação com o meio ambiente mão se dá pelo
raciocínio lógico ou pela representação simbólica, mas pela ação e
experimentação direta.
Inteligência
representativa: (intuições) (2 a 7 anos)
Neste
estágio pré-operatório a leitura da realidade é parcial e incompleta, visto que
a criança prioriza aspectos que são relevantes aos seus olhos, sua percepção
abstrata começa a ser desenvolvida e á medida que aumenta a criança eleva sua
capacidade de simular, imaginar situações, figuras e pessoas. Pelo motivo do
predomínio egocêntrico ela ainda não se coloca abstratamente no lugar do outro.
Inteligência
operacional concreto e formal: (Operações) (7 a 12 anos acima)
Neste estágio inicialmente a o aparecimento
do período em que a lógica começa a se desenvolver e a criança já consegue, a
seu modo, organizar e sistematizar situações e relacionar aspectos diferentes
da realidade, sua compreensão do mundo já não é tão prática, mas ainda se
utiliza do concreto para construir e realizar suas abstrações. Sendo que num
segundo momento deste estágio a criança já pode realizar abstrações sem
necessitar de representações concretas e pode, também, imaginar situações nunca
vistas ou vivenciadas por ela, inicia-se o predomínio da lógica formal.
Após entendermos sobre a relação entre
inteligência e níveis de conhecimento de acordo com cada faixa etária e de
acordo com cada nível de desenvolvimento cognitivo da criança, apresentam-se os
jogos que contribuem para o processo de desenvolvimento e que podem ser
utilizados por professores e pais dentro do processo de aprendizagem da criança
em fase escolar.
Jogo sensório-motor
Atividade
lúdica que surge, primeiramente, sob a forma de simples exercícios motores, sua
finalidade e tão somente o próprio prazer funcional, tendo um valor
exploratório.
Jogos simbólicos
Atividade
lúdica que surge com a manifestação e o aparecimento do jogo de ficção,
imaginação e imitação, tendo como finalidade satisfazer o eu por meio de
transformação do real em função do desejo da criança.
Jogos de regras
Atividade
lúdica que surge por volta dos cinco anos, mas que se desenvolve com relevância
na fase dos 7 aos 12 anos predominando por toda vida.Caracterizado pelo fato de
ser regulamentado por meio de um conjunto sistemático de leis (regras) que
asseguram a reciprocidade dos meios empregados.Portanto nesta fase do jogo a o
aparecimento de certas obrigações comuns ( regras), o que lhe confere um
caráter eminentemente social.
Assim
os jogos acima citados se relacionam com a construção da aprendizagem, o
desenvolvimento da inteligência e o desenvolvimento infantil, proporcionando a
criança em seus primeiros anos de vida vivenciar momentos de experimentação,
imitação, descoberta, redescoberta e exploração do meio em que vive(família,
sociedade e escola).Portanto o jogo deixa de ser somente um momento de diversão
para ganhar objetivos e finalidades dentro do contexto escolar, deixando de ser
somente um brincar livre para ser um brincar orientado (pedagógico), afim de
contribuir no ato pedagógico do professor e também no processo de aprendizagem
da criança.
Desta
forma se utilizar do jogo em sala de aula, possibilita ao aluno a construção de
novas condutas em relação ao processo ensino-aprendizagem, onde de passivo o
aluno se torna ativo, crítico, reflexivo e construtor de seu próprio
conhecimento e saber.
Aqui, deve-se atenção
especial para não considerar a atividade lúdica como único e exclusivo recurso
de ação, já que essa seria uma postura ingênua: o jogo é uma alternativa
significativa e importante, mas sua utilização não exclui outros caminhos
metodológicos. (Friedmann, 2002 p.56). Dentro da sala de aula tornaremos a
educação mais compatível com o desenvolvimento das crianças, respeitando sempre
suas capacidades e limites e levando-o cada dia a superar seus anseios,
frustrações e limites.
O
jogo no contexto da educação infantil
Para
o professor que se utiliza do jogo como atividade lúdica essa se torna um meio
para a aprendizagem, sendo que se faz necessário reconhecer alguns aspectos
relacionados aos alunos, suas necessidades, interesses, comportamentos e conflitos
para que dessa forma haja através do jogo um desenvolvimento de todos os
aspectos relacionados à aprendizagem (cognitivo, afetivo, moral, social e
lingüístico). Visando uma melhor aplicação do jogo dentro do contexto escolar
fazem-se necessários traçar metas e objetivos claros, pois sem eles esta
estratégia de ensino estará fadada ao fracasso ou a se tornar apenas um
“recheio” entre atividades paralelas. Assim ao usar durante suas aulas o jogo
tendo como o parâmetro o desenvolvimento geral ou individual de seus alunos ou
o desenvolvimento das habilidades especificas, é preciso que se faça um
planejamento organizado para proporcionar aprendizagem, levando em conta o como
se joga o tempo de jogo, o ritmo e as fases do desenvolvimento cognitivo e
muitas outras características que se relacionam com aquele que joga.
Desta forma usa-se a observação e a analise
das características do jogo e dos participantes durante o jogo para avaliar se
realmente o jogo é interessante ou se tornou apenas uma obrigação imposta ou se
somente está acontecendo como um momento de recreação e lazer,
descaracterizando assim todo processo de aprendizagem através da utilização do
jogo. Desta forma abaixo se apresenta algumas características relevantes para
que o professor ao selecionar e escolher o jogo possa saber como se utilizar,
porque se utilizar e para que se utilizar desse ou daquele jogo durante seu
processo de ensinar. No jogo livre a criança se solta e revela todas as suas
emoções, dificuldades e interesses, observando o aluno durante o jogo podem
reconhecer o comportamento intelectual, motor, social e afetivo de cada aluno
possibilitando a construção de um aprendizado significativo.
O
jogo espontâneo é visto por muito como simples passatempo, mas é um instrumento
importante para a aprendizagem e o desenvolvimento da criança de 0 à 6 anos. O
professor que utiliza este tipo de jogo visa à aquisição da autonomia e o
desenvolvimento da criatividade. O jogo tradicional tem como principal
característica as regras. Observando e registrando as características, a
aplicação do jogo e o jogador nos são permitido destacar algumas
características inerentes ao jogo de regras como: conflitos, integração,
raciocínio, argumentação, motivação, interesse, satisfação, valores, idéias,
verbalização, grau de iniciativa, criatividade e autonomia. Utiliza-se também
dos jogos para desafiar as crianças, assim causando um “desequilíbrio” como se
diz Piaget (?), assim chegando a um desenvolvimento cognitivo, sempre deixando
bem claro seus objetivos e lhes proporcionando a construção de conhecimentos
específicos. Com esta analise o professor consegue uma a seleção e a utilização
do jogo no processo escolar dentro da relação entre metas e objetivos,
possibilitando apresentar pontos importantes da utilização do jogo no processo
de aprendizagem. Usando o registro de cada jogo podemos também construir um
arquivo de jogos que o auxiliará no momento de se construir um ato pedagógico
que se utilize do jogo como ferramenta no processo de aprendizagem num diverso
grupo de aluno.
Precisa-se deixar claro que o
jogo além de ser um auxiliar na construção do conhecimento na fase escolar pode
ser utilizado para diagnosticar problemas que se referem desde questões
relacionadas com o desenvolvimento físico-motor, intelectual e social.
Para
deixar mais claro o jogo da amarelinha apresenta o desenvolvimento do estagio
físico-motor, equilíbrio dinâmico e estático; o social; o interesse, a
motivação; a participação e seu comportamento.
Temos
uma quantidade enorme de informações que são apresentadas pelo jogador durante
o ato de jogar, seja num jogo considerado simples ou complexo. Outro jogo
simples, que nos chama atenção é a bolinha de gude, pois desenvolve noções
motoras e físicas, noções de tempo e espaço e coordenação motora fina.
Já para se trabalhar com verbalização ou
fixação da alfabetização: usaremos cantigas (borboletinha, alecrim dourado), ou
parlendas (um, dois, feijão com arroz...; serra, serra serrador...). Para
desenvolver a criatividade: utilizar a sucata para fazer os próprios
brinquedos, desenvolvendo também a imaginação.
Como
podemos observar o jogo pode ser usados para desenvolver varias habilidades e
capacidades dentro do processo de ensino aprendizagem escolar, mas também
servir como momentos de recreação e
lazer o que se faz necessário é o professor traçar um planejamento onde
o jogo possa ser utilizado dentro de seus objetivos. O jogo deverá ser usado
como instrumento e não como receita pronta, precisa-se construir ou reconstruir
o jogo de acordo com suas metas e objetivos e seu público alvo. Assim o
professor deve se utilizar de uma conduta que seja clara e conivente com sua
prática como:
Ao
invés de impor regras, elabora-las em conjunto com as crianças mostrando uma
atividade política totalmente democrática. Com a participação da criança no
desenvolvimento das regras, elas podem rever seus valores morais e dizer quando
e como deverão ser aplicadas e como podem ser modificadas conforme a repetição
dos jogos.
Servir
como mediador para a troca de idéias cobre as regras para que haja um consenso
geral sobre regras. A deixá-los responsáveis pelas regras os incentiva-los a
cumpri-las e elaborar sanções para o seu descumprimento. Deixar com que a
criança resolva seus conflitos sobre as regras, pois desenvolveremos uma
criança autônoma e independente. O professor precisa ser apenas observador no
jogo espontâneo, o que não é muito simples, pois a um vinculo afetivo com a
criança. O professor deve fazer seu diagnostico e só intervir para resolver
conflitos assim ele conhecerá a realidade lúdica e o comportamento individual e
geral de sua sala.
No
jogo dirigido o professor deve ser claro na explicação das regras e participar
do jogo para elas entendam melhor, assim que elas saibam jogar sozinha deverá
ser apenas um orientador durante o jogo.
O
educado deverá ser além de orientador um desafiador aumentando a dificuldade do
jogo, promovendo o desenvolvimento ou o aumento da fixação da aprendizagem.
Para avaliar os propostos dos jogos, os jogos devem ser interessantes e
desafiadores e adequados a sua faixa etária.
Deixar
as crianças avaliar suas ações, se o professor as impõe as deixam dependentes e
inseguras ao tomar decisões. Devemos buscar a participação de todos, pois sua
participação ativa é atividade mental e o envolvimento da criança. O jogo deve
ser estimulante para a atividade mental, para as capacidades e cooperação das
crianças.
O
jogo então encerra em sua essência um sentido maior do que a simples
manifestação de uma necessidade, ele encerra uma significação que proporciona
sentido a ação e reforça a motivação para o jogo, possibilitando a criança
criar, recria e descobrir novas formas de atuação dentro do contexto escolar.
Nesta perspectiva Antunes (1999) nos mostra que o interesse dos alunos passou a
ser a força que comanda o aprendizado, sendo o professor um gerador de
situações estimulantes e eficaz, dentro deste contexto o jogo ganha seu espaço e passa a ser ferramenta ideal para
aprendizagem, auxiliando o aluno a continuar suas descobertas e enriquecer sua
personalidade.
O
papel do professor
Durante
muitos anos se confundiu ensinar com transmitir, onde os alunos eram
considerados agente passivo no processo sem muita relevância, tendo como
transmissor de todo conhecimento o professor. Tudo isso só fez com que o
professor deixa-se de observar aquele que aprende para se preocupar somente com
os conteúdos a serem ensinados, construindo uma relação bem distante entre
aquele que ensina daquele que aprende.
Mas
com toda evolução educacional e com o aparecimento de novas práticas
pedagógicas e novas formas de se pensar no ensinar e no aprender o professor
precisou repensar sobre suas práticas antigas, para uma prática que respeite as
novas formas de se ensinar no mundo moderno.
Iniciou-se
um processo em defesa do brincar, tornando sua sala um local mais agradável,
motivante e aconchegante, onde são promovidas atividades por meio de jogos e
brincadeiras, construindo assim sua programação baseado nas brincadeiras e não
ao contrario basear as brincadeiras de acordo com a sua programação.
Ao
invés de impor regras, elabora-las em conjunto com as crianças, assim as
deixaremos incentivadas a participar do jogo e a seguir as regras com uma
cobrança, pois foram feitas com sua participação. Quando fazemos as regras em
conjunto com os alunos reforçamos a atividade democrática, mostrando que sua
idéia é importante e que poderá ser usada no jogo. A participação da criança no
desenvolvimento das regras é um incentivo por que elas podem rever seus valores
morais e dizer quando e como deverão ser aplicadas e como podem ser modificadas
conforme a repetição dos jogos.Mediar a troca de idéias para que todos possam
expô-las e decidi-las. Para que haja um consenso geral sobre as regras que
usaremos no jogo.
Ao
deixar a criança responsável pelas regras deve-se incentivar a cumpri-las e
elaborar sanções para o seu descumprimento. No jogo temos uma grande freqüência
de conflitos e temos que deixar que a criança resolva seus conflitos, sempre
mediando e ensinando a negociarem para chegar a acordos, para que desenvolvemos
uma criança autônoma, participativa e independente. Com as regras estabelecidas
o professor deve reconhecer o que está realmente acontecendo no processo de
desenvolvimento das crianças, para que possamos intervir de forma certa. Assim
podemos preparar o ambiente para o jogo, um desses preparos é o espaço que tem
que ser dividido, para que as crianças que querem jogar mais concentradas não
sejam atrapalhadas pelas crianças que preferem um jogo de movimento. Além de tudo
ainda temos que nos preocupar com os materiais, que precisam ser adequados à
quantidade de alunos e para faixa etária dos seus alunos, estes materiais têm
que ser diversos para desperta a curiosidade e proporcionar o desenvolvimento
da criatividade e da autonomia. Sendo assim o jogar da criança é espontâneo,
mas o professor pode participar de diversas maneiras. Participando do jogo para
valorizar o que foi decidido pelas crianças, que ficarão animadas e dispostas a
jogar. O professor como peça do jogo pode acrescentar novos elementos no jogo
os desafiando e fazendo que haja uma aprendizagem maior, mas precisamos
perceber até que ponto as crianças querem nossa participação e nos controlar
para não tentamos controla-los.
Estimular
uso de sua imaginação é muito importante em sala de aula e terá a seguir um
exemplo prático.
“Um jogo que costumávamos fazer em
nossa casa (de Kathy) era “Imaginação É”. Sentávamos juntos na cana, cobríamos
nossos olhos, e dizíamos, “Imaginação é quando você está deitado na cama, fecha
os olhos, depois abre os olhos e vê que está em outro lugar”. As crianças nos
levavam a muitos lugares imaginários, e aterrissávamos no zoológico, numa
floresta, na Lua, ou voávamos pelo céu.” (EYER;
HIRSH-PASEK; GOLINKOFF, 2006, p.278)
O
quanto pode construir com um simples momento, que é divertido e cativante ajuda
criança e desenvolve o uso da imaginação, mas também o convívio social com a
troca das imaginações entre os participantes. Simples atividades como esta é de
grande valor para a aprendizagem. Quando o professor entra no jogo ele é o
modelo para as crianças, muitas vezes isto é esquecido e o professor se ocupa
com outros afazeres e perde a grande oportunidade de observar o desenvolvimento
do jogo e a evolução dos alunos socialmente e intelectualmente. No jogo
espontâneo o professor precisa ser apenas observador, o que não é muito
simples, pois a um vinculo afetivo com a criança. O professor deve fazer seu
diagnostico e só intervir para resolver conflitos assim ele conhecerá a
realidade lúdica e o comportamento individual e geral de sua sala. No jogo
dirigido o professor deve ser claro na explicação das regras e participar do
jogo para elas entendam melhor as regras servindo como um modelo, e a partir do
momento em que elas saibam jogar sozinhas, deverá se tornar apenas um
orientador durante o jogo. De acordo como momento do jogo o educador deverá ser
além de orientador um desafiador, aumentando a dificuldade do jogo, promovendo
o desenvolvimento da criança ou o aumento da sua fixação da aprendizagem.
Para avaliar os objetivos colocados pelo jogo
e pelo jogador no desenvolvimento, precisamos de jogos interessantes e
desafiadores que sejam adequados a sua faixa etária. Dessa maneira faremos uma
observação correta e teremos uma resposta para nossos objetivos propostos.
Deixar as crianças avaliar suas ações, se o que ele está fazendo é correto ou
se algum amigo será prejudicado pela sua atitude, se o professor impõe
resolução às tornam dependentes e inseguras ao tomar decisões.
Devemos buscar a
participação de todos, pois o jogo deve ser uma atividade estimulante, para as
capacidades e cooperação das crianças.
A
busca da participação coletiva pode não ser fácil, mas temos alguns
instrumentos que podem ser adaptados e usados para que todos participem, são os
brinquedos ou até mesmos os objetos que não são brinquedos, mas que enchem os
olhos das crianças. Usaremos estes objetos para que todos se interessem em
participar.
O
professor pode expressar seus valores, eles vêm impostos de acordo com sua
cultura, e devemos deixar que a criança desenvolva seus valores sem sua
intervenção. Vera
Lúcia Camara F. Zacharias abaixo relata abaixo:
“Os brinquedos aparecem para o professor como objetos
culturais de valores considerados inadequados. Por exemplo, Barbies carregam
valores americanos. Guerreiros com armas é a reprodução da guerra e da
violência. Carrinhos pertencem a meninos. Meninas brincam de casinha. Pobres
podem brincar com qualquer brinquedo, pois não tem opção. Enfim, são tais
atitudes que demonstram precondições relacionadas a classe social, ao gênero e
à etnia, e tentam justificar propostas relacionadas às brincadeiras
introduzidas em nossas instituições de educação infantil.” (ZACHARIAS, apud
KISHIMOTO, 1999)
As
crianças expressam suas relações sociais e seu meio social nos jogos. O
professor deve ser sensível para não reproduzir seus valores, pois isto pode
ser absorvido e mudar os valores do aluno. Os alunos devem formar sua
identidade sem que o professor fortaleça os valores ainda existentes na sua
região. Devemos lembrar que o processo de aprendizagem através dos jogos é a
etapa mais importante, pois e nele que recolhemos os dados das observações e
fazemos o relatório. Que nos leva ao resultado final. Sem o todo o processo o
resultado final não teria nenhum valor. De forma sintetizada o professor é o
mediador do ensino – aprendizagem. E precisa ser sensível para não colocar a
sua vontade a frente da de seus alunos, respeitarem os alunos para que ocorra
uma aprendizagem regular.
Conclusão
Diverso
ponto levantado a respeito do tema estudado possibilitou a esse estudo chegar a
diversas conclusões, dentre elas: que o lúdico é usado na educação das crianças
desde a antiguidade, que sua pratica foi evoluindo como passar dos anos, mas
com a busca acelerada do desenvolvimento intelectual virou apenas o recheio
entre atividades ditas pedagógicas, e com esta aceleração ficou esquecido o
quanto uma simples brincadeira perdendo toda sua função pedagógica de
desenvolver no aluno um desenvolvimento dentro de todos os aspectos humanos.
Precisa-se mudar este olhar sobre o lúdico, pois através do lúdico a criança se
capacita e se desenvolve buscando novas habilidades, que são adquiridas através
da utilização do brincar e do jogar dentro do contexto escolar deixando métodos
antigos de alfabetização que deixava as crianças desmotivadas a superar
desafios e com isso sempre produzindo somente aquilo que foi construído pelo
professor.
Assim o lúdico de forma total revela a natureza da criança,
possibilitando ao professor descobrir na criança suas dificuldades e anseios e
soluciona-los de forma simples e criativa. Mas com a conclusão desta pesquisa
podemos despertar em pais e professores um novo olhar para o lúdico, e
demonstrar que ao invés de transmitir conhecimento é preciso transformar e
construir, para que estas mudanças realmente ocorram. Na construção do
conhecimento devemos nós entregar as ações lúdicas como o brincar e o jogar
proporcionando a cada jogar a construção de uma nova aprendizagem, sempre
respeitando aquele que aprende suas individualidades, sua participação e suas
frustrações, assim os motivando a cada brincar e jogar. Que o lúdico possa ser
ferramenta para o professor dentro de sala de aula, mas que seja feito com
planejamento respeitando objetivos e metas daquele que aprendem.
Referências Bibliográficas
Friedmann,
Adriana.Brincar:crescer e aprender-oresgate do jogo infantil.São Paulo:Moderna,
1996
Eyer, Diane; HIRSH- PASEK; GOLINKOFF,
R.M. Einstein teve tempo para brincar. Tradutor
Vitória Davis. Rio de Janeiro: Guarda Chuva, 2006.
Marcelino, N.C. Pedagogia da animação.
Campinas : Papirus, 2003.
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Paulo: Cortez, 2001.
Brougere, Gilles. Brinquedo e cultura. São
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Santos, S.M.P. Brinquedoteca: a criança, o adulto
e o lúdico. Petrópolis: Vozes, 2003.
Macedo, Lino; PETTY, A.L.S.; PASSOS, N.C. Os
jogos e o lúdico na aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2005.
Bittencourt,
G.R.; Ferreira, M.D.M. A Importância do
Lúdico na Alfabetização. 2002. p.11-12. Trabalho de Conclusão de Curso
Pedagogia do Centro de Ciências Humanas e Educação da Universidade da Amazônia,
Belém do Pará, 2002.
Disponível
em 15/05/2008 em http://www.legadoludico.com/Artigos/ILA.pdf
Prof.esp.Marcio
Rogério Martins graduado em educação física e motricidade humana, psicopedagogo clinico e institucional,
docente Universitário na FAMERP e UNIPLAN, docente no ensino infantil e
fundamental I na Maple Bear Canadian School e Recreacionista no Projeto Mundo Novo Pinheirinho.

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