As marcas do saber

Em sua sexta edição, prêmio Top Educação abre espaço para novas categorias e reconhece as 18 empresas mais lembradas na esfera educacional

Do mundo esportivo ao ambiente empresarial, prevalece a tese de que tão difícil quanto atingir resultados positivos e conquistas é se manter no topo. A sexta edição do Prêmio Top Educação, realizado pela revista Educação em 2011, acrescenta mais um conceito ao já familiar senso comum: é preciso saber por que se ganhou, ou por que se perdeu.

De 2006, ano em que foi realizada a primeira edição, com pouco menos de 9 mil votos, até este ano, com cerca de 109 mil votos, a análise dos resultados permite observar quais são as empresas que se mantêm firmes na liderança de seus nichos mercadológicos, e quais são aquelas que oscilam ou que perderam espaço na mente dos consumidores que elegeram os vencedores de 18 distintas categorias. "A pesquisa realizada por um agente externo é absolutamente relevante. Muitas vezes, as empresas, inclusive de educação, tendem a olhar para dentro, mas quando você olha para fora, para a sociedade, isso é muito importante, pois marca é percepção externa", teoriza Eduardo Tomiya, da Brand Analytics.

Tomiya acredita que as companhias, vitoriosas ou não, devem ter a capacidade de utilizar positivamente as informações contidas no prêmio. "As marcas vitoriosas têm o reconhecimento de um trabalho e isso gera credibilidade, uma noção de dever cumprido dentro da empresa, o que é muito importante", diz ele, acrescentando que as vencedoras devem seguir trabalhando para se manter no topo, enquanto as que não alcançaram o status de ganhadoras devem igualmente aproveitar a ocasião para evoluir. "É preciso entender por que se perdeu, onde houve a falha e, a partir dessa análise, pensar em como corrigir o caminho."

O consultor da Brand Analytics lembra que a visibilidade e a lembrança de uma marca são um processo longo, construído no dia a dia. Rubem Barros, diretor editorial da Editora Segmento, concorda: "marcas que trabalham com educação precisam ter uma visão de longo prazo, até mesmo no que diz respeito à própria construção da marca". Embora reconheça a cobrança existente no mercado para que se alcancem resultados a curto prazo, o diretor acredita que empresas e instituições que trabalham no meio educacional precisam estabelecer metas a médio e longo prazo. "É preciso ter convicção do seu norte", aponta.
AnáliseNoção clara de trajetória tem a empresa Positivo, vencedora na categoria Sistema de Ensino, nos anos de 2009, 2010 e 2011. O mesmo acontece com o CCAA, vencedor nos últimos três anos no quesito Escola de Idiomas. "O prêmio ratifica o trabalho que temos desenvolvido para que os consumidores reconheçam a excelência da metodologia, a alta qualidade do material didático e o excelente trabalho que vem sendo implementado pelos nossos franqueados. São esses fatores que fazem a marca CCAA estar sempre positivamente presente na cabeça de todas as pessoas relacionadas com a educação", relata Adolfo Souza, diretor de marketing do Grupo CCAA.

Estar na liderança também não tem sido novidade para a Microsoft, igualmente vitoriosa, em 2011, na categoria Empresas de Tecnologia, o que já havia ocorrido nos anos de 2009 e 2010. "A Microsoft se orgulha em ser novamente reconhecida como uma empresa que incentiva alunos e professores a utilizarem a tecnologia em sala de aula como forma de aprimorar o processo ensino-aprendizagem", diz Emilio Munaro, diretor de educação da Microsoft Brasil.

Com 88% dos votos, bem acima do segundo colocado (a Abril, com 8%), o Ministério da Educação manteve a porcentagem semelhante à obtida em 2010 e venceu novamente o quesito Portal Educacional, título que também já havia obtido em 2009. Outra empresa que pode comemorar os rumos certos de sua gestão é a Editora Saraiva, que além de vencer pela terceira vez como melhor editora de literatura infantojuvenil, ainda conquistou o título de melhor editora de livros didáticos e de rede de livrarias.

"Pelo terceiro ano consecutivo nos sentimos mais uma vez honrados em receber o prêmio. Neste ano, tivemos uma alegria ainda maior, já que fomos agraciados em três categorias", afirma José Luís Próspero, diretor da editora. Segundo ele, o prêmio simboliza um reconhecimento do trabalho e do investimento que a empresa faz para introduzir no mercado produtos e serviços considerados de excelência. "Nos sentimos ainda mais empenhados e comprometidos para oferecer o que há de melhor para o desenvolvimento educacional do nosso país", declara Próspero.

Sucesso semelhante tem vivido a empresa Dell, desde 2009 sendo vitoriosa na categoria Fabricantes de Computadores, seguida pela HP, com 37%, e pela Positivo, com 23%. "Esse prêmio mostra que a Dell está no caminho certo no compromisso de melhorar o processo de aprendizado dos alunos em todo o mundo. Além de ser líder global no fornecimento de TI para o segmento educacional, a empresa reforça, cada vez mais, o investimento em soluções completas para educação, com capacitação de professores, conteúdo interativo alinhado ao currículo proposto e infraestrutura de tecnologia de qualidade", atesta Ricardo Menezes, diretor de vendas para educação, saúde e governo da Dell Brasil.
ReavaliarPor outro lado, de acordo com a tese proposta por Eduardo Tomiya, quem precisa saber tirar proveito da queda de rendimento e trabalhar para voltar ao topo é a FTD. Após vencer o Prêmio Top Educação em 2009 e 2010 na categoria Sistema de Ensino para Rede Pública, com 46% dos votos, em 2011 teve 38%; a empresa ficou em segundo lugar e perdeu o posto para a Uninter, que venceu justamente obtendo 41% dos votos. Em 2011, a Uninter também foi novamente vitoriosa no quesito Instituição de Ensino a Distância, mantendo a liderança na área desde 2009. A empresa, no entanto, havia sido duplamente vencedora em 2010 ao ganhar ainda o prêmio de Instituição de Ensino de Pós-Graduação, posto este ano desbancado pela PUC, que venceu com 37% dos votos.

A sexta edição do Prêmio Top Educação trouxe algumas novidades, como a inclusão de quatro novas categorias: Alimentação, vencida pela Nestlé (65%); Instituições do Terceiro Setor, tendo Amigos da Escola como ganhadora (40%); Canal de TV aberta relacionado à educação, cujo premiado foi a TV Cultura (66%); e Canal de TV fechada relacionado à educação, vencido pela National Geographic (49%). O reconhecimento que o Top Educação alcançou nos seus seis anos de existência, demonstrado pelo significativo aumento do número de votos entre 2006 e 2011, faz com que ele próprio também esteja sujeito aos mesmos conceitos que devem nortear o crescimento das empresas vencedoras e perdedoras. Suas ações de sucesso precisam ser trabalhadas e planejadas conscientemente, para que o prêmio se mantenha em permanente estado de evolução.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/175/as-marcas-do-saberem-sua-sexta-edicao-premio-top-educacao-240115-1.asp

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