Má qualidade generalizada

Especialistas em educação afirmam que a baixa qualidade da rede de ensino pública acaba se refletindo no sistema privado. "É um processo de retroalimentação”, explica a professora de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP) Maria Cecília Cortez. "É um ciclo que começa com a má formação dos professores, que em sua maioria vêm das escolas públicas. Sem condição de passar em universidades renomadas, eles acabam estudando em faculdades privadas”, argumenta. Para o professor da Faculdade de Educação da USP, a qualidade dos mestres é um fator fundamental para a aprendizagem. "Os alunos refletem os professores”, opina.

Maria Cecília afirma também que dificuldades estruturais da rede pública, como a ausência recorrente de professores na sala de aula, faz com que se estabeleça um baixo nível de concorrência frente às escolas particulares. "Elas não pressionam as privadas a serem melhores. Basta a elas serem um pouquinho melhores”, pontua. Segundo a professora, há unidades de ensino privadas que se promovem com uso de tecnologia para atrair os pais, mas que esses artifícios não garantem um aprendizado de qualidade se não forem acompanhados de bons educadores. "Na rede privada, os professores não faltam, não fazem greve. Mas isso não quer dizer que eles sejam estáveis. Muitos deles são contratados ao longo do ano. Nem sempre há um comprometimento em se trabalhar de forma conjunta no ensino médio,” prosseguiu Maria Cecília.

Com exceção das escolas de elite, que contam com rigorosos processos de seleção, as escolas particulares também sofrem com a pressão de "agradar à clientela”, afirma a professora da USP. "Existem sim unidades de ensino que trabalham com nível abaixo do que é exigido pelo Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) porque não querem perder mercado.” A especialista avalia que os pais nem sempre procuram as escolas com o objetivo exclusivo que os filhos tenham sucesso em provas de seleção, como o Enem. Com isso, as escolas particulares, por vezes, abrem mão de conteúdo para investir em atividades de socialização, como festas da família ou feiras de ciência. (DG)

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