Educação na UTI
| Na semana seguinte à polêmica sobre a cartilha “Por uma vida melhor”, que não vê erro na frase “os livro mais interessante estão emprestado”, a Unesp de Rio Preto divulgou estudo realizado com 539 alunos que revela falhas graves de ortografia, acentuação e pontuação. São erros grotescos como “espozo”, “centindo”, “conequição” e “coelhencia”, escritos por alunos de 5ª a 8ª séries. Os dois fatos poderiam ser mera coincidência, mas não são. Como também não é coincidência o resultado do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), que no ano passado avaliou estudantes do ensino médio e fundamental em São Paulo. Pelo Saresp, a maioria das escolas atingiu o conceito suficiente em língua portuguesa. Já em matemática, a situação é caótica: no 3º colegial, por exemplo, a maioria dos 2,6 mil alunos desconhece conceitos básicos da disciplina. Se mesmo escrevendo “conequição” e “coelhencia” os alunos avaliados pelo Saresp conseguiram aprovação em português, dá para imaginar qual é o nível da matemática ensinada e aprendida nessas escolas. A queda constante na qualidade do ensino no País revela que já passou a hora de ele ser repensado. Livros como “Por uma vida melhor” nada contribuem a esse debate, ao contrário: levam-no a um patamar inferior. Se o que prega o livro chancelado pelo MEC fosse levado em consideração, barbaridades como as apontadas no estudo da Unesp de Rio Preto seriam pequenos atos falhos sem grande relevância. Afinal de contas, “eis namorado” e “ex-namorado” têm praticamente a mesma sonoridade, não? Em meio a tanto choro e ranger de dentes, chega a ser um alento, mas ainda tímido, o posicionamento do secretário-adjunto João Cardoso Palma Filho, da Secretaria do Estado da Educação. Ele reconhece que parte dos problemas no sistema educacional em São Paulo deve ser atribuída à progressão continuada, que tanto mal tem feito às crianças e adolescentes. Segundo Palma Filho, “não adianta progredir um aluno com problemas. A escola precisa detectar a tempo e corrigir”. Há também a promessa, por parte do secretário-adjunto, de melhorar a deficiente formação dos professores. Um docente mal capacitado, como ocorre aos montes na rede pública, fatalmente irá prejudicar o desenvolvimento dos alunos. Mas não adianta ostentar boas intenções se nada disso for colocado em prática. O ensino público no País está na UTI. Se os governos estaduais e federal continuarem a desprezar o sistema educacional como têm feito, alimentando a progressão continuada e editando livros que ensinam a escrever e a falar errado, vão cometer eutanásia. |

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