Educação não é Brinquedo...
Haddad é recebido com vaias na USP
O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi recebido com vaias, na tarde desta quarta-feira, 14, na Faculdade de Educação da USP, onde participou de um debate sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) com alunos, professores e entidades sindicais. Os estudantes entoavam 'Haddad, eu não me engano: 7% é coisa de tucano' e 'Haddad, que porcaria, Paulo Freire choraria'. A principal reivindicação dos participantes foi para que o governo aumente de 7% para 10% o porcentual do PIB previsto para gastos com a educação. No plano atual em trâmite no Congresso são previstos 7%. Um porcentual que, segundo especialistas, seria insuficiente para cumprir metas como ter 50% das escolas de educação básica em tempo integral e pagar aos professores salário compatível ao que recebem outros profissionais com curso superior. 'Para resolver todos os problemas, mesmo os 10% são poucos. Mas garantir os 7% já será um avanço', disse o ministro. Ele comparou a garantia dos 7% ao veto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, a esse mesmo porcentual.
Estrutura
Os estudantes criticaram, também, a situação de abandono de algumas universidades federais, principalmente as recém-criadas, que funcionam em prédios adaptados e sem professores suficientes. 'Um país que só tem 3% de sua população na universidade, não pode esperar ter talheres na mesa e papel higiênico no banheiro para que um campus comece a funcionar', argumentou Haddad. Segundo o ministro, a ampliação das federais tem sido um sucesso. Ele elogiou, também, a autonomia que gozam as instituições ligadas ao governo federal. 'Na eleição dos reitores, o MEC sempre respeita a decisão da comunidade acadêmica e escolhe o primeiro da lista', afirmou, em uma clara referência à escolha de João Grandino Rodas para reitor da USP. Ele era o segundo nome da lista que chegou à mesa do ex-governador José Serra. 'Por problemas internos da sua universidade, você não pode impedir que a estrela dos outros brilhe', alfinetou.

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